O que são pausas conscientes e quais os seus benefícios?

O que é uma pausa consciente?

Durante muito tempo, eu vivi no fazer.

Fazia o que era preciso. Respondia ao que aparecia. Trabalhava, cuidava, resolvia, continuava. Mesmo cansada. Mesmo sem vontade. Mesmo com o corpo a pedir outra coisa.

A pausa parecia sempre uma coisa para depois.

Depois do trabalho.
Depois das tarefas.
Depois dos outros.
Depois de aguentar mais um bocadinho.

Só que esse “depois” quase nunca chegava.

E, quando chegava, eu já estava no limite.

Não era descanso. Era recuperação de emergência.

Com o tempo, fui percebendo que não queria viver sempre assim. Não queria continuar a esperar pelo esgotamento para me permitir parar.

Foi aí que a palavra pausa começou a mudar dentro de mim.

Deixou de ser uma coisa pequena, sem importância, quase culpada.

Passou a ser uma forma de voltar a mim.

A pausa que me ensinou a escutar

Para mim, uma pausa consciente não é uma técnica.

É um momento simples em que paro e deixo de me atropelar por dentro.

Pode ser uma chávena de chá bebida com calma. Pode ser fechar os olhos antes de responder. Pode ser respirar fundo no meio de um dia difícil. Pode ser escrever no caderno aquilo que não consigo organizar na cabeça. Pode ser aquecer uma almofada e pousá-la no corpo. Pode ser ficar em silêncio, sem tentar resolver nada.

Nem sempre é bonito. Nem sempre é profundo. Nem sempre parece especial.

Mas é verdadeiro.

E isso, para mim, começou a fazer diferença.

Porque há dias em que não precisamos de grandes mudanças. Precisamos só de um pequeno espaço onde possamos perguntar:

Como estou?

E talvez, logo a seguir:

O que preciso agora?

Durante anos, eu não fazia esta pergunta. Ou fazia, mas não escutava a resposta.

Hoje sei que muitas vezes o corpo avisa antes da mente perceber.

A respiração fica curta. Os ombros sobem. O peito aperta. A paciência desaparece. A cabeça enche. Tudo parece urgente. Tudo parece demais.

Antes, eu ignorava esses sinais.

Agora tento ouvi-los mais cedo.

Nem sempre consigo. Mas tento.

Pausar antes de desaparecer de mim

Uma das coisas que aprendi é que há uma diferença enorme entre parar porque já não aguento mais e pausar antes de me perder completamente.

Quando paro só no limite, já venho tarde.

Já venho sem energia. Sem clareza. Sem presença. Muitas vezes, até sem saber exatamente o que sinto.

Mas quando consigo pausar antes, mesmo que seja por poucos minutos, alguma coisa muda.

Não muda tudo. Não resolve a vida. Não tira todos os problemas do caminho.

Mas devolve-me um pouco de mim.

E, às vezes, é isso que basta para continuar de outra forma.

A pausa não me tira do caminho.

A pausa ajuda-me a voltar a ele com mais verdade.

A vida não acontece só nas férias

Durante muito tempo, também esperei pelas férias para descansar.

Esperava pelas escapadinhas, pelos fins de semana, por aqueles dias especiais em que finalmente podia desligar.

E claro que esses momentos são importantes.

Mas comecei a perceber que a minha vida não podia depender apenas deles.

Porque a vida acontece sobretudo nos dias normais.

Na cozinha.
No banho.
No caminho para o trabalho.
Na chávena que seguramos.
Na casa onde vivemos.
Na forma como respiramos entre uma coisa e outra.

Se eu só descansasse nas férias, passava o resto do ano a sobreviver.

E eu queria aprender a viver melhor dentro dos meus dias reais.

Não numa vida perfeita.
Não num cenário ideal.
Mas na vida que eu tenho, com as suas tarefas, responsabilidades, cansaços e recomeços.

Foi aí que as pausas começaram a fazer ainda mais sentido.

Não como algo separado da vida.

Mas como uma forma de habitar melhor a vida.

Pequenos gestos que me trazem de volta

As minhas pausas nem sempre são iguais.

Há dias em que preciso de silêncio.

Há dias em que preciso de chá.

Há dias em que preciso de escrever.

Há dias em que preciso de caminhar.

Há dias em que preciso de criar com as mãos, porque a cabeça já pensou demais.

Há dias em que preciso apenas de me deitar um pouco, pousar uma almofada quente no corpo e deixar o peso sair devagar.

E há dias em que a pausa é só isto: não responder logo, não decidir logo, não dizer sim só para agradar.

A pausa também pode ser um limite.

Também pode ser uma escolha.

Também pode ser uma forma de dizer: agora eu não me abandono.

As caminhadas também são pausas

As caminhadas também me ensinaram muito sobre isto.

Nem sempre caminho pelo exercício físico, embora saiba que também me faz bem. Muitas vezes, caminho para estar em contacto com a natureza. Para olhar para o céu. Para observar as árvores. Para sentir o ar. Para sair um pouco da cabeça e voltar ao corpo.

Lembro-me de algumas vezes em que amigas minhas me diziam: “andas tão devagar”.

E eu respondia: “eu não vim só pelo exercício, vim para desfrutar”.

Porque, para mim, muitas caminhadas são isso mesmo: uma pausa em movimento.

Há dias em que caminho com mais ritmo, claro. Há dias em que também quero sentir o corpo ativo, ganhar energia e cuidar da parte física.

Mas, na maior parte das vezes, a caminhada é outra coisa.

É um espaço onde não preciso de chegar depressa. Onde posso reparar no que normalmente me passaria ao lado. Onde posso respirar melhor, pensar com mais calma e sentir que a vida não está apenas nas tarefas que tenho para cumprir.

Mesmo em movimento, posso estar em pausa.

E talvez tenha sido isso que fui aprendendo: pausar não é necessariamente parar o corpo. Às vezes, é parar a pressa.

O que fui percebendo com as pausas

Com o tempo, fui percebendo que as pausas não mudavam a minha vida de um dia para o outro.

Mas mudavam a forma como eu entrava no momento seguinte.

Quando parava para beber um chá sem fazer outra coisa ao mesmo tempo, a minha cabeça deixava de correr tanto.

Quando escrevia no caderno, conseguia perceber melhor o que estava a sentir.

Quando respirava antes de responder, evitava dizer coisas a partir do cansaço.

Quando aquecia uma almofada e a pousava no corpo, lembrava-me de que também precisava de cuidado físico, não só de força mental.

Quando caminhava um pouco, muitas vezes voltava com outra clareza.

E quando criava alguma coisa com as mãos, mesmo simples, sentia que saía da confusão da cabeça e voltava ao meu centro.

A pausa foi-me ensinando isto: nem sempre preciso de fazer mais. Muitas vezes, preciso de parar para perceber melhor o próximo passo.

O que a pausa mudou em mim

A pausa ensinou-me a perceber melhor o meu ritmo.

Ensinou-me que nem sempre falta motivação. Às vezes falta descanso.

Nem sempre falta foco. Às vezes há estímulos a mais.

Nem sempre estou perdida. Às vezes estou apenas cansada.

Nem sempre preciso de fazer mais. Às vezes preciso de parar antes de continuar.

E isto mudou a forma como olho para mim.

Com menos cobrança.

Com mais honestidade.

Com mais respeito pelo meu corpo, pela minha energia e pelo momento em que estou.

Não significa que hoje faça tudo certo. Não faço.

Ainda acelero. Ainda me esqueço de parar. Ainda entro no fazer. Ainda digo “só mais um bocadinho” muitas vezes.

Mas agora reconheço mais depressa quando estou a fugir de mim.

E isso já é um começo.

As pausas HoliZen nasceram daqui

A HoliZen nasceu muito deste caminho.

Da minha própria necessidade de abrandar, reorganizar a vida por dentro e criar pequenos rituais que coubessem nos dias reais.

Nem todos os momentos pedem o mesmo cuidado.

Há dias em que precisamos de acalmar.

Outros em que precisamos de recomeçar.

Outros em que precisamos de criar, porque aquilo que sentimos precisa de sair de alguma forma.

Há fases em que precisamos de sustentar, manter rotinas, respeitar limites e não voltar a abandonar-nos.

E há momentos em que precisamos de empreender, dar forma a uma ideia, organizar uma visão, construir algo com alma sem nos perdermos no processo.

Para mim, todas estas pausas nascem da mesma pergunta:

O que preciso neste momento?

É uma pergunta simples.

Mas nem sempre é fácil responder.

Por isso, a pausa existe.

Para criar espaço.

Para escutar.

Para voltar.

Como começar

Não precisas de mudar tudo.

Começa por um momento pequeno.

Antes do dia arrancar.
Depois do trabalho.
Antes de dormir.
Ou naquele instante em que sentes que estás a ficar demasiado acelerada por dentro.

Escolhe um gesto.

Uma chávena de chá.
Uma vela.
Uma música.
Uma página no caderno.
Uma respiração.
Uma caminhada.
Um banho mais lento.
Uma criação simples com as mãos.

E deixa que, por alguns minutos, esse gesto seja suficiente.

Sem transformar a pausa em mais uma tarefa.

Sem fazer do autocuidado outra lista para cumprir.

Só parar um pouco.

Só voltar ao corpo.

Só perguntar com verdade:

Como estou?

O que preciso agora?

Talvez uma pausa consciente não mude tudo de uma vez.

Mas pode mudar a forma como entras no próximo minuto.

No próximo gesto.

Na próxima escolha.

No próximo dia.

E, muitas vezes, é assim que começa o regresso a nós.

Se este tema te tocou, podes explorar as Pausas HoliZen e descobrir que tipo de pausa acompanha melhor o teu momento atual: acalmar, recomeçar, criar, sustentar ou empreender.

Se este tema te tocou, podes explorar as Pausas HoliZen e descobrir que tipo de pausa acompanha melhor o teu momento atual: acalmar, recomeçar, criar, sustentar ou empreender.

Voltar para o blogue