Como acalmar a mente quando o corpo já parou
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Há uma coisa que fui percebendo ao longo dos últimos anos: o corpo pode parar de repente, mas a mente nem sempre o acompanha.
Durante muito tempo, sentava-me no sofá sem nada por fazer e continuava a repassar a conversa do dia, a lista de amanhã, a mensagem que ainda não tinha respondido. Achava que me faltava força de vontade para descansar. Hoje vejo isso de outra forma.
Talvez também te aconteça: o corpo finalmente pára, mas a cabeça continua em movimento. E talvez a questão não seja não conseguires descansar. Talvez a tua mente ainda não tenha recebido um sinal claro de que também pode abrandar.
Porque é que o corpo pára, mas a mente continua
Passamos grande parte do dia em modo de resposta. A um email, a uma mensagem, a uma criança que precisa de alguma coisa, a uma notificação que aparece no telemóvel.
É um ritmo constante de estímulo e reação.
Quando finalmente nos sentamos, sem nada urgente à nossa frente, a mente continua à procura do próximo estímulo, porque foi isso que fez durante horas seguidas.
Estamos a pedir-lhe que mude de ritmo de forma abrupta, sem qualquer transição.
Desligar o telemóvel, por exemplo, nem sempre chega.
Conheço bem essa sensação: pousar o telemóvel virado para baixo e, minutos depois, reparar que a mão continua a ir na direção dele.
Não há nada que precise realmente de ser visto naquele momento.
É apenas o hábito de verificar.
Calma não é a ausência de estímulo
Há uma ideia com que costumamos viver sem a questionar: a de que só vamos sentir-nos calmas quando tudo à nossa volta parar.
Quando o trabalho acabar.
Quando os filhos estiverem a dormir.
Quando a casa estiver arrumada.
Quando, finalmente, não houver mais nada por fazer.
Esse momento raramente chega assim tão limpo.
A calma que consigo sentir hoje não depende de eliminar tudo o que está à minha volta.
Depende de conseguir ficar presente durante alguns minutos, mesmo com o resto a continuar lá fora — o telemóvel a vibrar noutra divisão, a roupa por estender, a lista que ainda não terminou.
Não é ignorar essas coisas.
É escolher, por um pouco, não responder a tudo ao mesmo tempo.
Pequenos sinais que ajudam a mente a parar
Descansar não é apenas parar de fazer.
Às vezes, é preciso criar uma pequena transição entre o ritmo do dia e o momento em que queremos abrandar.
E essa transição pode ser muito simples.
Escrever uma frase antes de fechar o dia
Não precisa de ser um diário elaborado.
Às vezes é apenas uma linha:
"Hoje custou-me mais do que o costume."
Outras vezes, pode ser uma lista rápida do que ficou por fazer, para que a cabeça deixe de tentar lembrar-se de tudo durante a noite.
O problema continua lá, mas já não precisa de permanecer constantemente dentro da cabeça.
Respirar durante um minuto sem fazer mais nada ao mesmo tempo
Sem transformar o momento numa tarefa.
Sem procurar fazer "bem".
Apenas um minuto em que a respiração é a única coisa a acontecer — sem telemóvel, sem televisão, sem fazer outra coisa ao mesmo tempo.
Olhar pela janela sem o telemóvel na mão
Parece pouco.
Mas abrir uma janela, deixar o ar entrar e olhar para fora durante alguns minutos, sem procurar nada em particular, pode interromper aquele ciclo constante de estímulo e resposta.
Nenhum destes gestos elimina o cansaço acumulado nem substitui um descanso mais profundo.
Mas pode ser exatamente o pequeno sinal de que a mente precisa para perceber:
por agora, chega.
Não precisas de eliminar tudo o que te ocupa a cabeça
Durante muito tempo pensei que descansar significava conseguir esvaziar a cabeça.
Hoje sei que não preciso disso.
Posso ter coisas por resolver, pensamentos a aparecer e um dia imperfeito — e, ainda assim, criar alguns minutos em que não preciso de lhes responder.
Talvez seja aqui que começa uma Pausa Consciente.
Não quando tudo está finalmente resolvido.
Mas quando decides criar um pequeno espaço entre aquilo que aconteceu e aquilo que vem a seguir.
Pode ser uma frase escrita.
Um minuto a respirar.
Olhar pela janela.
Uma chávena de chá tomada sem fazer outra coisa ao mesmo tempo.
Pequeno o suficiente para caber num dia cheio.
Mas suficientemente intencional para dizer à mente:
por agora, não precisas de fazer mais nada.
Cria a tua pausa em casa
Uma Pausa Consciente não precisa de ser longa nem complicada.
Pode começar com alguns minutos, uma infusão quente, uma almofada sobre os olhos ou um pequeno ritual que ajude o corpo e a mente a reconhecer que chegou o momento de abrandar.
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Tudo começa com uma pausa.