Porque sentimos culpa quando paramos?

Já reparaste que, por vezes, o mais difícil não é trabalhar?

É parar.

Muitas mulheres conseguem passar um dia inteiro a cuidar dos outros, a cumprir responsabilidades e a resolver problemas.

Mas quando chega o momento de descansar, surge uma sensação estranha.

Uma voz interior que diz:

"Devias estar a fazer alguma coisa."

"Não tens tempo para isso."

"Primeiro termina tudo."

"Depois descansas."

Durante muito tempo, essa voz também viveu dentro de mim.

Quando descansar parecia um luxo

Houve uma fase da minha vida em que sem me aperceber eu não me permitia descansar diáriamente.

Primeiro tinha de terminar tudo.

Primeiro tinha de cumprir todas as responsabilidades.

Primeiro tinha de ajudar toda a gente.

Primeiro tinha de resolver todos os problemas.

Só depois podia descansar.

O problema é que esse momento nunca chegava.

Porque havia sempre mais alguma coisa para fazer.

Mais uma tarefa.

Mais uma preocupação.

Mais uma urgência.

E assim o descanso era constantemente adiado.

O que estava por trás da culpa

Com o tempo, percebi que a culpa não aparecia por acaso.

Durante anos fomos ensinadas a valorizar a produtividade.

A fazer.

A cuidar.

A corresponder.

A ser úteis.

Mas raramente fomos ensinadas a descansar.

A escutar o corpo.

A respeitar limites.

A reconhecer que também precisamos de receber aquilo que damos aos outros.

Por isso, quando paramos, sentimos desconforto.

Como se estivéssemos a falhar.

Como se estivéssemos a ser egoístas.

O momento em que comecei a ver as coisas de outra forma

Uma das maiores mudanças que fiz na minha vida foi perceber que o autocuidado não é um prémio.

É uma necessidade.

Hoje já não espero terminar tudo para cuidar de mim.

Porque sei que esse dia nunca chega.

Em vez disso, incluo pequenas pausas ao longo do dia.

Não porque tenha tempo.

Mas porque preciso delas.

Percebi que quando estou regulada, descansada e presente, consigo cuidar melhor de tudo o resto.

Dos meus projetos.

Das minhas relações.

Do meu trabalho.

Da minha energia.

Da minha vida.

O que aprendi

Aprendi que descansar não é preguiça.

Parar não é fraqueza.

Cuidar de nós não é egoísmo.

É responsabilidade.

Porque quando ignoramos constantemente as nossas necessidades, acabamos por pagar um preço elevado.

No corpo.

Na mente.

Nas emoções.

Nas relações.

Aprendi também que não precisamos de esperar pela exaustão para parar.

Podemos escolher fazê-lo antes.

Como começar a libertar a culpa

Da próxima vez que tirares alguns minutos para ti, observa os pensamentos que surgem.

Sem os julgar.

Pergunta-te:

Eu diria estas mesmas palavras a alguém de quem gosto?

Provavelmente não.

Então porque as dizes a ti própria?

Começa por pequenas pausas.

Cinco minutos.

Uma chávena de chá.

Uma caminhada.

Uma música.

Uma respiração consciente.

Permite-te receber esse momento sem o transformar numa obrigação.

Um convite

Hoje, experimenta fazer uma pausa sem a justificar.

Sem a merecer.

Sem a conquistar.

Apenas porque és humana.

Apenas porque precisas.

Apenas porque existes.

E isso é suficiente.

Tudo começa com uma pausa.

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