Como a criatividade terapêutica entrou na minha vida
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Se existe uma ferramenta que marcou profundamente o meu processo de transformação pessoal, essa ferramenta foi a criatividade.
Não foi um livro.
Não foi uma viagem.
Não foi uma grande mudança de um dia para o outro.
Foi algo muito mais simples.
Foi criar.
Foi tecer.
Foi escolher cores.
Foi permitir-me parar.
Durante muito tempo, procurei respostas fora de mim. Em lugares bonitos, em viagens, em formações, em mudanças exteriores.
Mas foi quando comecei a criar com as minhas próprias mãos que comecei verdadeiramente a escutar-me.
Quando criar deixou de ser apenas um hobby
Sempre gostei de trabalhos manuais, artesanato e atividades criativas.
Mas houve uma altura da minha vida em que a criatividade deixou de ser apenas uma atividade agradável.
Transformou-se numa necessidade.
Numa pausa.
Num espaço seguro.
Numa forma de voltar a mim.
Eu podia chegar cansada.
Com o corpo pesado.
A mente cheia.
O dia inteiro às costas.
E, ainda assim, havia algo dentro de mim que ganhava vida quando eu pegava numa linha, numa agulha, num tecido, numa cor ou numa mandala por terminar.
Não desaparecia tudo.
O cansaço não se apagava por magia.
A vida não ficava resolvida.
As perguntas não tinham todas resposta.
Mas o ruído diminuía.
A pressão abrandava.
E o presente voltava a existir.
Criar tornou-se um dos poucos momentos em que a minha mente conseguia finalmente desacelerar.
Uma mente acelerada precisa de lugares de silêncio
Sempre tive uma mente muito ativa.
Uma mente que pensa muito.
Que liga pontos.
Que se entusiasma.
Que cria possibilidades.
Que salta de uma ideia para outra.
Que, muitas vezes, não sabe desligar.
Hoje reconheço em mim muitos sintomas de TDAH em adulto: a inquietação mental, a dificuldade em parar, a vontade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, a intensidade criativa que tanto pode ser dom como desafio.
E foi também por isso que a criatividade se tornou tão importante.
Porque, quando eu criava, havia uma interrupção.
Não uma interrupção forçada.
Não uma luta contra os pensamentos.
Não uma tentativa de controlar tudo.
Era uma interrupção suave.
As mãos ocupavam-se.
A respiração mudava.
O olhar pousava nas cores.
A mente encontrava um ponto de foco.
E, por momentos, eu saía do ruído interno.
Hoje consigo perceber que, para mim, criar era uma forma de mindfulness.
Uma meditação ativa.
Sobretudo nas mandalas e no macramé.
Porque havia repetição.
Havia ritmo.
Havia presença.
Havia foco no gesto.
Havia um ponto de cada vez.
Um nó de cada vez.
Uma cor de cada vez.
Uma volta de cada vez.
E isso ajudava-me a reduzir a ansiedade.
A ansiedade não desaparecia por ordem minha. Mas abrandava quando eu entrava nesse estado de presença.
Era como se o corpo percebesse:
agora não tens de resolver tudo.
agora só tens de estar aqui.
As mandalas de lã entraram na minha vida
Foi através das mandalas de lã que essa transformação se tornou mais evidente.
Escolher os fios.
Combinar as cores.
Sentir as texturas.
Tecer lentamente.
Observar a mandala a ganhar forma.
Algo dentro de mim também se reorganizava.
Sem pressa.
Sem pressão.
Sem necessidade de perfeição.
Existia apenas aquele momento.
O fio.
As mãos.
A criação.
E eu.
Havia dias em que eu chegava a casa tardíssimo, depois de trabalhar no restaurante.
Fisicamente cansada.
Com o corpo a pedir descanso.
Com a energia gasta.
E, ainda assim, havia dentro de mim uma motivação imensa para pegar nas linhas e continuar uma mandala.
Parece estranho dizer isto.
Mas era uma alegria sem fim.
Escolher as cores.
Ver os fios a cruzarem-se.
Acompanhar o desenho a crescer.
Perceber a harmonia a nascer.
Sentir que, volta após volta, alguma coisa dentro de mim também se organizava.
A mandala era circular, mas eu sentia que me levava para dentro.
Para o centro.
Para o silêncio.
Para uma espécie de ordem suave.
Por mais cansada que estivesse fisicamente, aquele momento alimentava-me de uma forma diferente.
Não era uma energia de esforço.
Era uma energia de vida.
Hoje percebo que as mandalas me ensinaram muito mais do que técnicas artesanais.
Ensinaram-me presença.
Paciência.
Confiança.
Respeito pelo tempo dos processos.
E talvez tenha sido aí que eu comecei a perceber que criar também podia ser uma forma de meditação.
Uma prática de presença.
Um ritual silencioso.
Uma maneira de voltar ao corpo sem precisar de palavras.
Macramé, costura e o prazer de aprender a fazer
O meu percurso no artesanato não começou todo em formações formais.
Muita coisa nasceu da curiosidade.
Da vontade de experimentar.
Da pergunta: “será que eu consigo fazer isto?”
Da alegria de ver alguém criar algo bonito e sentir vontade de tentar também.
Fui aprendendo macramé através de tutoriais na internet, vídeos no YouTube, tentativas, erros, nós desfeitos e recomeçados.
Havia algo muito bonito nesse processo.
Não era apenas aprender uma técnica.
Era perceber que, com paciência, presença e repetição, as mãos começavam a compreender aquilo que antes parecia difícil.
Eu não estava apenas a aprender nós.
Estava a aprender a entrar num ritmo.
A desfazer sem me julgar.
A recomeçar com mais calma.
A confiar no processo.
A ver beleza a nascer passo a passo.
Mais tarde, fiz um workshop de Costura Criativa, dividido em quatro sessões.
Foi o suficiente para abrir uma porta.
A partir daí, comprei uma máquina de costura simples, daquelas acessíveis, e comecei a explorar.
E quando comecei, já não quis parar.
O DIY tornou-se um estilo de vida
Comecei a criar as minhas próprias coisas.
Coisas para mim.
Para a minha casa.
Para as minhas rotinas.
Para as minhas viagens.
Para o meu cuidado diário.
Criei porta-garrafas.
Porta-sandes.
Sacos de tecido para o pão e legumes.
Sacos maleáveis para viagens e praia.
Pensos higiénicos reutilizáveis.
Discos desmaquilhantes.
Almofadas para os olhos.
Porta-chaves.
Almofadas.
Painéis decorativos.
Mandalas.
Velas aromáticas de soja
Upcycling
Tudo aquilo que eu conseguia imaginar e fazer com as minhas mãos, dentro de uma lógica mais sustentável, mais simples e mais slow living, eu tinha vontade de experimentar.
Havia uma alegria muito própria em olhar para um objeto e pensar:
“fui eu que fiz”.
Não por orgulho vazio.
Mas por reconhecimento.
Reconhecer que eu podia transformar uma ideia em matéria.
Que podia criar algo útil.
Que podia trazer beleza para a minha casa.
Que podia tornar a minha vida mais alinhada com os meus valores.
Que podia fazer com as minhas mãos aquilo que antes talvez procurasse fora.
Com o tempo, a criatividade começou a expandir-se para outras áreas da minha vida.
Não apenas pelo resultado final.
Mas pelo prazer do processo.
Pela ligação aos materiais.
Pelo ritmo mais lento.
Pela sensação de presença.
Pela possibilidade de criar antes de comprar.
Pelo desejo de viver com mais intenção e menos consumo automático.
O DIY tornou-se uma extensão natural do meu estilo de vida slow living.
Mais simples.
Mais consciente.
Mais ligada aos materiais.
Mais próxima da casa.
Mais atenta ao desperdício.
Mais criativa nas soluções.
Mais minha.
Sempre que eu criava algo reutilizável, algo feito em tecido, algo que substituía um objeto descartável ou algo que trazia mais beleza à minha casa, sentia que estava a alinhar a vida com os meus valores.
Não era apenas fazer.
Era escolher.
Escolher usar melhor o que tinha.
Escolher criar antes de comprar.
Escolher reparar antes de deitar fora.
Escolher beleza com utilidade.
Escolher uma vida com mais intenção.
Porque a criatividade é terapêutica
Muitas pessoas acreditam que a criatividade é apenas para artistas.
Eu não acredito nisso.
Acredito que todos temos uma necessidade natural de criar.
Criar ajuda-nos a sair da mente e a regressar ao corpo.
Ajuda-nos a interromper ciclos de preocupação constante.
Ajuda-nos a expressar emoções que nem sempre conseguimos colocar em palavras.
Ajuda-nos a abrandar.
Ajuda-nos a respirar.
Ajuda-nos a sentir.
Durante muito tempo, eu não chamava a isto terapia.
Chamava-lhe artesanato.
Chamava-lhe hobbies.
Chamava-lhe criatividade.
Chamava-lhe fazer coisas.
Mas hoje percebo que era muito mais do que isso.
Era terapia, sim.
No meu caso, foi uma forma de autocura.
Uma autocura feita de criatividade terapêutica, presença, cor, textura, repetição, silêncio e tempo para mim.
A vida traz-nos muitos questionamentos.
Há fases em que nos sentimos cansadas, perdidas, ansiosas ou demasiado cheias por dentro.
Não fosse a criatividade que me ajudou a atravessar fases mais difíceis, provavelmente eu teria recorrido a outro tipo de acompanhamento. Não porque a criatividade substitua tudo, mas porque, para mim, foi uma via real de regulação, expressão e reconstrução interior. Eu encontrei na criatividade e no trabalho manual o meu processo de auto-cura e felizmente sem necessidade de psicólogos, médicos ou medicação. No meu caso, foi desta forma, contudo cada pessoa encontra o seu caminho.
A criatividade tornou-se o meu lugar seguro.
Ajudava-me a aliviar a ansiedade.
A recuperar foco.
A melhorar o sono.
A aumentar a autoestima.
A recuperar motivação.
A voltar a sentir alegria.
A criar espaço para mim.
Não porque estivesse a fugir dos problemas.
Mas porque estava finalmente a criar espaço para me escutar.
Ajudava-me a transformar inquietação em movimento.
Ansiedade em foco.
Cansaço emocional em expressão.
Confusão interna em forma.
Vazio em beleza.
Desalinhamento em presença.
Quando eu criava, havia uma parte de mim que se reorganizava.
Talvez porque as mãos sabem coisas que a cabeça demora mais tempo a entender.
Talvez porque fazer algo devagar nos obriga a estar ali.
Talvez porque, quando criamos, entramos num lugar onde a vida volta a circular.
Criar fazia-me sentir viva
Não era apenas sobre acreditar em mim.
O que a criatividade me dava era outra coisa.
Dava-me vida.
Quando eu criava, sentia alegria.
Sentia fluxo.
Sentia entusiasmo.
Sentia ligação.
Sentia uma energia a correr dentro de mim.
Sentia que algo maior passava pelas minhas mãos.
Há momentos em que criar me faz sentir em conexão com o divino.
Não de uma forma distante, pesada ou demasiado mística.
Mas de uma forma simples.
Como se a criação fosse uma ponte.
Entre aquilo que sinto e aquilo que ganha forma.
Entre o invisível e o visível.
Entre a inspiração e a matéria.
Entre mim e algo maior.
E talvez seja por isso que nunca vi o artesanato apenas como artesanato.
Para mim, criar é vida em movimento.
É alma a ganhar forma.
O que aprendi
Aprendi que criar não é um hobby.
Criar é uma forma de cuidar de nós.
Aprendi que a criatividade não exige talento.
Exige apenas disponibilidade.
Aprendi que não precisamos de criar algo perfeito.
Precisamos apenas de nos permitir experimentar.
Aprendi que muitas vezes aquilo que não conseguimos resolver através do pensamento começa a transformar-se quando lhe damos forma através das mãos.
E aprendi que nem tudo nasce depressa.
Há peças que precisam de repetição.
Outras de erro.
Outras de pausa.
Outras de serem desmanchadas e recomeçadas.
A vida também é assim.
Há fases em que estamos a escolher as cores.
Fases em que estamos a dar nós.
Fases em que parece que nada está a fazer sentido.
Fases em que começamos a ver o desenho aparecer.
Fases em que é preciso confiar antes de ver a peça pronta.
O artesanato ensinou-me paciência.
Ensinou-me processo.
Ensinou-me que o bonito também nasce do imperfeito, do torto, do corrigido, do feito com presença.
E isso mudou a forma como eu olhava para os meus próprios processos.
Comecei a respeitar mais o tempo entre a ideia e a forma.
Entre a inspiração e a materialização.
Entre o começo e a peça terminada.
Como isto vive na HoliZen
Hoje, quando penso nas Pausas para Criar, penso em tudo isto.
Penso na mulher que chega cansada, mas que ainda tem dentro de si uma vontade de expressão.
Penso na mulher que sente demais e não sabe por onde começar.
Penso na mulher que precisa de sair da cabeça e voltar ao corpo.
Penso na mulher que quer criar algo seu, mesmo que ache que não é criativa.
Penso na mulher que precisa de reduzir o ruído da mente, respirar melhor e transformar ansiedade em presença.
Penso na mulher que precisa de se lembrar que não tem de fazer perfeito.
Só tem de começar.
É daqui que nascem os kits criativos, os rituais DIY, as mandalas, os workshops e as experiências criativas da HoliZen.
Não da ideia de fazer apenas coisas bonitas.
Mas da certeza de que criar pode ser uma forma de presença.
Uma forma de cuidado.
Uma forma de escuta.
Uma forma de autoestima.
Uma forma de mindfulness.
Uma forma de meditação ativa.
Uma forma de voltar ao corpo.
Uma forma de sentir vida a circular outra vez.
Como podes começar
Não precisas de saber fazer mandalas.
Não precisas de ser artista.
Não precisas de ter experiência.
Podes começar por algo simples.
Colorir.
Escrever.
Costurar.
Bordar.
Fazer macramé.
Criar uma mandala.
Montar um pequeno projeto DIY.
O importante não é o resultado.
É aquilo que acontece dentro de ti enquanto crias.
Não é fazer para mostrar.
Não é fazer para vender.
Não é fazer para ficar perfeito.
É criar para estar presente.
Para te escutares.
Para respirares.
Para sentires as tuas mãos a trazerem-te de volta ao agora.
Um convite
Se sentes que andas desligada de ti, cansada ou perdida no ritmo dos dias, experimenta criar alguma coisa.
Sem pressa.
Sem perfeição.
Sem cobrança.
Só para ver o que nasce.
Só para estares contigo.
Só para sentires a vida a correr dentro de ti outra vez.
Porque criar com as mãos não é apenas fazer.
É transformar tempo em presença.
É dar forma ao que vive dentro.
É lembrar que a criatividade pode ser uma casa.
Um lugar onde a mente descansa.
O corpo participa.
A alma respira.
E a vida volta a correr.
Talvez, para ti, tudo comece com uma pausa feita pelas mãos.